Não se pode falar em Paraty sem fazer alusão, também, às montanhas escarpadas que se convergem para o mar; às inúmeras ilhas e penínsulas espalhadas pela Baía da Ilha Grande. Mas sem nenhuma dúvida são as suas construções que fazem tão interessante e peculiar. Segundo Lúcio Costa “do ponto de vista da arquitetura civil, Paraty é mais um testemunho daquela serena maturidade a que a colônia – impedida de qualquer contato que não fosse com o mundo português – se viu conduzida, como criança asilada, e da qual resultou esse modo simples e peculiar de ser e de expressar-se, isto que, em termos arquitetônicos, se traduz no que se chama de ESTILO – o nosso estilo: plantas regulares, alçadas simples, pequenos saguões, recortes de madeira, treliças de resguardos, caixilharias envidraçadas, beirais coloridos. Tanto nas casas de feição mais severa e antiga, quanto naquelas concebidas ao gosto já liberto e acolhedor de meados de oitocentos, caracterizado pelo gracioso desenho das vidraças e pela serralheria rendada, o vocabulário é o corrente, e a linguagem urbana se articula com naturalidade à paisagem, contida entre o fundo de montanha e o ritmo largo e alternado da maré. Porque Paraty é a cidade onde os caminhos do mar e os caminhos da terra se encontram, melhor, se entrosam. As águas não são barradas, mas avançam cidade à dentro levadas pela lua, e o reticulado de ruas, balizado pelas igrejas”. O traçado das ruas de Paraty, urbanisticamente perfeito, é em T, e visava defender a cidade contra invasões dos piratas, são dezesseis ruas na área urbana.  De forma quadrangular, o Centro Histórico, é cercado por correntes de ferro, que impedem a passagem de carros. As casas do núcleo histórico foram construídas com uma argamassa contendo óleo de baleia, animal caçado até desaparecer na Baía Grande. As Igrejas, por sua vez, foram erguidas com pedras vindas da Europa, refletindo a fase áurea da cidade. A predominância do branco e azul hortência desperta curiosidade. Como a cidade foi urbanizada por maçons, essas cores foram escolhidas por serem as mesmas da Maçonaria Simbólica e da cidade de Óbidos, cidade maçônica em Portugal. É a eles também atribuído o traçado irregular das ruas, cujo objetivo era evitar o vento encanado nas casas e permitir que a luz solar atingisse em igual proporção todas as residências. Soma-se a essas características uma outra com a mesma importância: as colunas em forma de pórtico de cada lado da porta de entrada das casas. Elas indicavam ali morar um maçom disposto a prestar ajuda necessária ao viajante.
 
 
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